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domingo, julho 09, 2006

rebetika, rebetika 

poema inspirado ao som de rebetika (género de música grega extinto nos anos 50 cujos temas habitué eram drogas, morte, etc - o típico - Jorgos Kakaros existiu mas nada sei da sua biografia, de resto é uma recomendação qua qua!)

Um grego chamado Jorgos Kakaros
Sentado num pinhal com o seu bouzouki
Tocando rebetika a fumar o seu último axixe
Da sua boca sai um fumo a vapor
Que se transforma num mar de visões
Com monstros marinhos e piratas
E naves e névoas e cantares

Na sua rua não há nada
Já não tem um tostão
Toca há 30 anos
não lhe interessa se um dia vai parar

Mudar de vida já não dá
É ele que já não quer
Já viveu na Macedónia
Já assaltou um barco
E fugiu até à Albânia
Já fez tráfico de tabaco
Com amigos no Kosovo
Já conheceu montenegrinas altas
Que conduziam como doidas
E também já passou férias
Nas ilhas da Croácia com os turistas italianos
Já teve a fase capitalista
Já teve a fase comunista
Já teve a fase da lua que já não há

Na Bósnia descansou
Ia até às cascatas, tomava lá banhos
Deixava-se ficar no mato
Cantava poemas de canções
Extintas há 50 anos
De primos que tinham perdido o negócio das drogas
e que choravam já não terem nada para trocar

Na Grécia já não havia regras
Os filósofos estavam mortos
Os seus fantasmas também fumavam axixe
E ouviam os lamentos dos que tinham sido
Assaltados por piratas da Macedónia
E à Roménia não tinham conseguido chegar,
Os polícias da máfia afundaram-lhes o barco com metralhadoras
O pai de Jorgos foi um deles, sobreviveu a nado descansando sobre uma tartaruga

Falava três línguas
Grego, macedónio e russo
Nunca as usava pois não precisava de falar
A não ser quando ia ao mercado
Comprar pó de giz
Com o qual desenhava o jogo da macaca no chão
Que o deixava a meditar...

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