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terça-feira, outubro 25, 2005

pequena história 

num dia de inverno feio havia um sol bonito que se escondia atrás da lua. dizia-lhe coisas ao ouvido, e as crateras rejubilavam com os segredos do sol. as manhãs apareciam sempre cobertas de um nevoeiro espesso, por vezes passavam autocarros espaciais que largavam um pó de escape preto enquanto se escapavam por becos com mil saídas. deixavam os marcianos todos a tossir.
Como resultado da tossidela, que ecoava no espaço sem fim, ouviu-se nascer uma melodia tonal corresponde ao KYRIE ELEISON. Os meus escassos conhecimentos de acústica não me deixam aprofundar descrições técnicas, mas era como se o martelo a bigorna e o estribo do ouvido médio em ligação com o interno se tornassem divinais. (no início havia o SOM). por fora das crateras saía um vapor musical com textura de chá de gengibre.
Ecoaria poeira de estrelas e evaporar-me-ia num autocarro espacial para destino certamente incerto, em que a gramática da escrita da fala e do pensamento não corresponderia a meras oitavas mas a trigésimos de tons perfeitos aumentados maiores e menores, saltando hesitando pulando e confundindo improvisando por sistemas diversos a serem descobertos por futuros etnomusicólogos espaciais da NASA não pretensiosos.

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